DEBATE
AS RAZÕES DE IVANETE BOSCHETTI, PRESIDENTE DO CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL, CONTRA O EXAME DE PROFICIÊNCIA...
Breve análise do artigo
“Exame de proficiência: uma estratégia inócua”
Ivanete Boschetti, revista Serviço Social & Sociedade, edição nº. 94 – ANOXXIX – junho de 2008.
Ivanete Boschetti inicia seu artigo abordando a expansão desmesurada de cursos de graduação a distância e presencial, o que segundo ela, coloca em risco a formação de qualidade. Afirma também que talvez se esteja vivendo a maior expressão tendenciosa das reformas neoliberais, materializadas na reforma universitária; proliferação acelerada e desordenada de cursos presenciais e a distância; estímulo à expansão do setor privado em detrimento do ensino público.
Segundo ela, o ensino a distância vive um processo de expansão acelerada com a proposta de Reforma Universitária apresentada no governo Lula, iniciada em 2003 e 2004 e está em um momento de franca expansão no âmbito das instituições privadas e públicas. Para Ivanete o ensino a distância não assegura formação com qualidade como: educação como direito de todos e dever do Estado; indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão; processo formativo básico como perspectiva de totalidade e apreensão critica da realidade; realização do estágio presencial (será que ela imagina que o estágio na modalidade Ead seja como?); etc.
De acordo com um levantamento feito pelos Cress em 2007, 5 (cinco) IES (Univali, Unitins, Unopar, Uniderp e UNC) ofertam cursos em pelo menos 15 Estados. Dados divulgados pela professora Marilda Iamamoto mostram que essas instituições são responsáveis por 27.156 vagas. Se a proporção permanecer, irá dobrar o quantitativo de profissionais em dez anos, que hoje está próximo dos 74 mil Assistentes Sociais.
Novamente segundo Ivanete, o Estado estabelece normas gerais e se exime da responsabilidade e dever de regulação no que se refere ao acompanhamento e avaliação, transferindo a responsabilidade para o mercado, indivíduo e para os Conselhos das profissões Regulamentadas.
Nesse contexto, Boschetti traz a reflexão do debate sobre o exame de proficiência, que, segundo ela, é apontado como mecanismo para tentar garantir a qualidade no exercício profissional, a partir da proliferação dos cursos de graduação a distância (notem que aqui ela não usa mais como exemplo a modalidade presencial apontada no início do artigo, significa dizer que, não adianta camuflar, a intriga é sim com o ensino Ead).
16 RAZÕES DE IVANETE BOSCHETTI, PRESIDENTE DO CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL, CONTRA O EXAME DE PROFICIÊNCIA:
ü Pode induzir instituições a estruturar seus conteúdos a partir do exame
ü Provocam o ranqueamento de cursos e instituições
ü Favorecem a proliferação de cursos preparatórios para os exames
ü Responsabiliza individualmente os profissionais pela ausência de qualidade no ensino e pela omissão do Estado
ü Não são capazes de avaliar completamente o conteúdo apreendido na universidade regular
ü Não tem possibilidades de avaliar todas as dimensões inerentes ao exercício profissional, sobretudo as habilidades técnicas
ü Considera apenas uma dimensão do conhecimento
ü Pode aferir um conhecimento em determinado momento, e logo se torna defasado
ü Encobre o real problema que deve ser enfrentado: lutar pela qualificação da formação
ü Instituem uma forma de regulamentação do mercado pelo mercado
ü Não impactam na mudança da oferta e da qualificação do ensino superior
ü Contribui para a permanência de cursos ruins, pois, fortalece a perspectiva de que cabe ao próprio egresso investir na sua capacitação necessária para ingressar no mercado de trabalho (e quem deve investir no egresso? O Estado? Seria ótimo se isso acontecesse, mas, é pura utopia... Ora, cabe a cada qual buscar sua capacitação, pois faculdade presencial alguma dá certificado de garantia de introdução no mercado de trabalho)
ü Só privilegia uma elite profissional já beneficiada pela estrutura de desigualdades socioeconômicas
ü Atribui aos Conselhos uma responsabilidade de “controle de qualidade” sendo que a função desses é a fiscalização do exercício profissional
ü Pode incitar animosidades entre os profissionais e o conjunto CFESS/CRESS
ü Dificuldades operacionais e práticas para que os Conselhos realizem os exames, pois o custo é alto, valor da inscrição seria elevado, as provas teriam que ser pelo menos duas ou três vezes ao ano (o que sobrecarregaria os Conselhos, segundo ela).
E você? O que acha das colocações da presidente do Conselho Federal de Serviço Social?
VOCÊ É A FAVOR OU CONTRA O EXAME DE PROFICIÊNCIA?